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Hipertensão arterial (pressão alta) é a doença mais prevalente na população adulta

 

A hipertensão arterial (pressão alta) é a doença mais prevalente na população adulta, afetando um terço de homens e mulheres. Embora tenha causa desconhecida, existem fatores predisponentes como a quantidade de sal ingerido (cloreto de sódio) e a obesidade. A pressão alta é um dos mais potentes fatores de risco para a ocorrência dos acidentes vasculares cerebrais (derrames) e dos infartos do miocárdio (ataque cardíaco), as duas maiores causas de morte no mundo. Os custos diretos da hipertensão arterial nos Estados Unidos são de 50 bilhões de dólares por ano, e, no Brasil, de 700 milhões de dólares.

O tratamento da pressão alta é necessário porque produz queda na incidência dos derrames cerebrais e ataques cardíacos. A simples redução de 5 a 10 mmHg da pressão diminui a ocorrência destas complicações em 20% a 25%. Para isto acontecer, são necessárias duas medidas: tomar remédios e diminuir a quantidade do sal na comida. A média pessoal de sal ingerido atualmente é de 6 a 9 gramas por dia (ou seja, 2 a 3 gramas de sódio), mas, em muitos países, esta média ultrapassa 12 gramas, como acontece no Brasil. Um inocente pacote de biscoitos cream crackers contém mais de 6 gramas de sal, valor acima da quantidade máxima recomendada por dia.

O consumo de sal ingerido vem aumentando progressivamente em todo o mundo nas últimas décadas. Sua adição à mesa tornou-se hábito automático de muitas pessoas. Além disso, o sódio do sal é utilizado em quantidades consideráveis nas substâncias conservantes e espessantes para aumentar a durabilidade e estabilidade das comidas enlatadas e envasadas, embutidos, sopas, molhos e até mesmo em doces e refrigerantes.

A redução do consumo diário de sal e, consequentemente, da pressão alta e suas complicações tem que ser vista não só como uma questão médica, mas também de saúde pública. Ações médico-sanitárias, governamentais e societárias vêm sendo realizadas nos últimos anos de forma tímida para a magnitude do problema. Programas educativos são praticamente inexistentes, sejam nas escolas, comunidades ou na mídia. Sua implementação seguramente terá o mesmo sucesso alcançado pelas campanhas do Ministério da Saúde contra o tabagismo e a Aids. Informações nos rótulos de produtos industrializados são de difícil visualização e compreensão e necessitam de aperfeiçoamento e controle regulatório. Medidas coercitivas governamentais devem ser estudadas, apesar de irem de encontro à liberdade e livre arbítrio individual - tema polêmico e controverso atualmente em nossa sociedade. Além disso, confronta com os interesses comerciais das indústrias de alimentos e fast food.

Como já vem sendo feito em vários países, é imperativo prosseguir com mais intensidade o debate nacional sobre o consumo excessivo de sal e sódio visando a promover ações necessárias para sua redução. A participação do Ministério da Saúde, da Anvisa, das sociedades médicas e da própria indústria alimentícia é indispensável para a formulação de uma estratégia de ação realística e efetiva. Se repetirmos o sucesso das demais campanhas sanitárias conseguiremos diminuir a quantidade de hipertensos no nosso país. E, mais importante, reduziremos drasticamente os custos médicos e sociais resultantes de suas maléficas e mortais consequências.

Fica a pergunta: queremos continuar pagando este preço tão salgado na nossa saúde só para agradar ao nosso paladar?

ROBERTO BASSAN é professor de Cardiologia da EMPG da PUC-Rio. E-mail: drbassan@gmail.com.

Fonte: O Globo.

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